O que é COVID-19?

COVID-19 é uma infecção causada por um coronavírus, um vírus ou micróbio parecido com muitos dos vírus que causam o resfriado comum. A diferença é que, mesmo que a maioria das pessoas infectadas tenha os mesmos sintomas de um resfriado comum, aquelas com outros problemas de saúde como problemas pulmonares ou diabetes têm maior risco de ficar muito doentes ou desenvolver complicações pulmonares graves. Pessoas com COVID-19 normalmente têm febre e tosse ou sentem falta de ar. Se o quadro piorar, podem ter problemas sérios para respirar e precisar de internação hospitalar ou na unidade de terapia intensiva (UTI).

Como se transmite?

O vírus que causa a COVID-19 é transmitido principalmente por contato com alguém infectado e doente ou pelo contato com objetos em que essa pessoa tenha tocado, espirrado ou tossido recentemente. O vírus pode ser encontrado na saliva ou coriza. O vírus entra no corpo ao entrar em contato com a boca, nariz ou olhos.

Como posso evitar o contágio por COVID-19?

Lavar mãos regularmente após entrar em contato com objetos fora de sua casa e evitar tocar seu rosto com as mãos são as melhores maneiras para evitar adoecer. O distanciamento social (ficar a pelo menos 2 metros de distância dos outros) e ficar em casa o máximo possível também são boas maneiras de evitar ficar doente. Para evitar passar o vírus para os outros, as pessoas devem cobrir sua boca com a dobra do braço (parte interna do cotovelo) ao espirrar ou tossir, e não com a mão.

Devo evitar ir ao hospital, consultório ou clínica para ver o meu médico?

NÃO. Quando está grávida você tem muitas consultas e exames. Eles são importantes para sua saúde e a do bebê e só devem ser cancelados após conversar com seu médico. Algumas consultas podem ser feitas pelo telefone ou por vídeo e seu médico vão analisar se isso é adequado para você. Se você tem complicações na gravidez, não deve hesitar em fazer contato com seu médico  e  discutir com ele a melhor maneira de ser atendida. 

Quando for ao consultório ou ao hospital, use álcool em gel depois de tocar nos objetos, evite encostar no seu rosto com as mãos e tente ficar a pelo menos 2 metros de distância de outras pessoas na sala de espera. Você também deve usar álcool em gel quando sair. 

Se você estiver com tosse, coriza, febre e/ou dor na garganta ligue para a clínica ou consultoria onde tem consulta ou exames agendados para remarcar. 

Se você estiver doente com COVID-19 e tiver consulta de rotina marcada, contate seu médico para saber se é melhor manter ou adiar a data da consulta.

É perigoso para mim pegar COVID-19 na gravidez?

Existe pouca informação sobre gestantes que adoeceram com COVID-19. Sabemos que é melhor evitar o risco de ficar doente. Mas pelas informações que temos, parece que as grávidas com COVID-19 não ficam mais graves do que outras mulheres não-grávidas da mesma idade. Mulheres com outros problemas de saúde, especialmente problemas pulmonares, pressão alta, diabetes ou HIV têm maior risco de ficarem mais graves. Se esse é o seu caso, você pode ser acompanhada mais de perto se for diagnosticada com COVID-19. A maioria das gestantes saudáveis com teste positivo para COVID-19 será tratada em casa, mas elas devem ser examinadas rapidamente se os sintomas começarem a piorar. Se houver piora dos sintomas, o atendimento urgente é a melhor maneira de prevenir problemas sérios para a mãe ou a gravidez. Os médicos podem sugerir que seja feito exame de raio X ou tomografia computadorizada dos pulmões que podem ser feitos na gestante nessa situação . Esses exames são  indispensáveis para tratar gestantes que estão ficando graves. Sabendo que você está grávida serão  tomadas todas as medidas necessárias para assegurar que sejam feitos da maneira mais segura para você e seu bebê. Mães que ficam muito doentes e precisam ser hospitalizadas têm maior risco para entrar em trabalho de parto e devem ser observadas atentamente. Paracetamol é seguro em caso de febre na gravidez.

É perigoso para o meu bebê se eu pegar COVID-19 na gestação?

Temos ainda pouca informação sobre se o vírus passa das mães para os bebês durante a gestação. Mas o que temos até o momento é que somente os casos graves que necessitam de internação e que podem ter uma viremia significativa, tiveram a transmissão para o feto ou seja a transmissão vertical. Até agora exames de sangue em 3 bebês mostraram que eles teriam reação ao vírus durante a gravidez. Não há sinais de que o COVID-19 aumente o risco de defeitos congênitos, apesar de só sabermos de poucas mulheres que tiveram o vírus no momento mais perigoso para isso e que já tenham tido os bebês. Febre alta em torno de 6 semanas de gravidez ou 4 semanas após a concepção do bebê pode estar associada com maior risco de problemas na coluna e no cérebro. Isso não é específico do COVID-19, acontece qualquer que seja a causa da febre. O risco continua baixo. Cerca de 2 em cada 1000 mulheres com febre na gestação inicial podem ter um bebê com esse tipo de problema, comparando com 1 em cada 1000 gestantes que não tiveram febre no início da gravidez. Recomenda-se a realização de ultrassonografia morfológica entre 18 e 24 semanas para detectar alterações no bebê.

O maior risco para o bebê é se você ficar doente e entrar em trabalho de parto muito antes da data provável do parto ou se os médicos recomendarem que você tenha o parto antecipado porque o bebê não está bem por causa do seu estado de saúde. Quanto mais perto da data provável do parto, menores são os riscos para o bebê. Se você tiver COVID-19 e estiver em trabalho de parto, seu corpo pode não ser capaz de assimilar a quantidade de oxigênio que faria normalmente. Isso pode tornar mais difícil para o bebê tolerar o trabalho de parto. Recomenda-se, sempre que possível, que o parto seja feito no hospital, onde o bebê pode ser monitorizado de perto e continuamente e onde haja condições de realizar cesariana, se for necessário. Até o momento não há motivo para realizar cesariana ao invés do parto vaginal quando a mãe tiver COVID-19, a não ser que haja outra indicação. Mesmo com muita pouca informação disponível sobre mães doentes com COVID-19 no momento do parto, parece que em torno de um em cada 20 bebês mostra sinais de infecção depois de alguns dias do nascimento. É muito provável que eles tenham sido infectados no momento do parto. Sabemos mais sobre 3 bebês que precisaram de tratamento, mas parecem ter se recuperado bem da infecção pelo COVID-19.

Alguns estudos com vírus parecidos indicam que o bebê pode não crescer tão bem depois de uma infecção como a do COVID-19. A maioria dos especialistas recomenda pelo menos uma ultrassonografia entre 2 e 4 semanas após o fim da infecção para ter certeza de que o bebê está crescendo bem. Também se recomenda que continuem a ser feitas ultrassonografias periódicas pelo menos a cada 4 semanas ao longo do resto da gravidez para checar se o bebê continua crescendo.

É perigoso para o meu bebê se eu pegar COVID-19 logo depois do parto?

Não está claro se mães com COVID-19 devem ser separadas de seus bebês ou não. Regiões diferentes vão agir de maneira diferente com base na disponibilidade local de recursos e na situação local com o COVID-19. Normalmente é sugerido que você fique com seu bebê se estiver se sentindo bem. Algumas circunstâncias podem exigir que você seja separada de seu bebê. Você deve perguntar ao seu médico ou enfermeira se este é o seu caso. Você deve ter cuidado para evitar a transmissão do vírus para seu bebê. A melhor maneira de fazer isso é lavar suas mãos antes de pegar o bebê, evitar tocar o rosto do bebê, evitar tossir ou espirrar no bebê ou usar máscara quando estiver cuidando dele. Quando não estiver cuidando diretamente do bebê (por exemplo quando ele estiver dormindo), tente ficar a pelo menos 2 metros de distância dele para diminuir o risco de infecção para ele.

Posso amamentar se tiver COVID-19?

Algumas mulheres infectadas com o vírus tiveram seu leite testado e não foram encontrados sinais do vírus no leite materno. Então parece seguro amamentar ao seio seu bebê, mesmo que você tiver COVID-19. Você deve ter cuidado para não contaminar seu bebê. A melhor maneira de fazer isso é lavar as mãos antes de pegar o bebê, evitar tocar no rosto do bebê, evitar tossir ou espirrar no bebê e usar máscara quando estiver amamentando. Outra boa opção é ordenhar seu leite manualmente ou com bomba e pedir a alguém que não esteja doente para dar o leite para ele. Se você ordenhar seu leite manualmente ou com bomba, certifique-se de lavar bem suas mãos antes.

E se alguém em casa tiver sintomas de COVID-19 depois que meu bebê nascer?

Se a pessoa estiver muito envolvida nos cuidados com o bebê, ela deve ter muito cuidado para evitar a transmissão do vírus para ele. A melhor maneira de fazer isso é lavar as mãos antes de pegar o bebê, evitar tocar o rosto do bebê, evitar tossir ou espirrar no bebê e usar máscara quando estiver cuidando dele.

Se a pessoa não precisar estar perto do bebê, é melhor ficar a pelo menos 2 metros de distância dele o tempo todo. Lembre-se de lavar suas mãos antes de cuidar do bebê mesmo que você não esteja doente, já que você pode ter tocado objetos na casa contaminados pelo vírus. Você também deve se manter a 2 metros de distância de quem estiver doente e lavar suas mãos frequentemente para evitar adoecer. Se você já teve COVID-19, pesquisas recentes indicam que seu corpo será capaz de lutar contra o vírus sem você ficar doente de novo. Mas mesmo nesse caso, lavar bem as mãos antes de tocar seu bebê é a melhor maneira de prevenir a transmissão do vírus de outra pessoa doente ou objeto contaminado para ele.

Quando interromper a gestação, ou seja, indicar o momento do parto?

A maioria dos especialistas recomendam a interrupção da gestação nos casos graves em que a paciente é internada na unidade de terapia intensiva e necessita de ventilação mecânica, principalmente se a idade gestacional é superior a 28 semanas de gestação.

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Autora: Dra Zilma Eliane Ferreira Alves.

Referência: Patient Information leaflet on ‘Coronavirus and pregnancy’ 

International Society of Ultrasound in Obstetrics and Gynecology (ISUOG), 2020.

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